A outra face da educação

Colóquio Flácido para Acalentar bovinus....Educação





Quem está aki!!

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Serra e Alckim mandam, nas entre linhas, "pagadores de pedágios" paulistas "se danarem"




Tá no blog: http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com

Durante entrevista na Agrishow, na quarte-feira, Aloizio Mercadante, pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PT, afirmou que o maior problema do Estado são os pedágios exorbitantes nas rodovias paulistas.

Mercadante afirmou que é possível reduzir o valor do pedágio, como fez o governo federal. Enquanto a margem de lucro nas concessões demo-tucanas é de mãe para filho: 20%; o governo federal fez licitação com margem de lucro de 8% (valor próximo à uma taxa de juros de uma aplicação financeira de longo prazo).

José Serra visitou a Feira de tarde (ele não acorda cedo, e foge de compromissos pela manhã), ao lado de Geraldo Alckmin, e foi questionado sobre as críticas aos pedágios abusivos, tanto da gestão de Serra, como na de Alckmin.

Serra respondeu com arrogância: "Eu não comento as críticas deste personagem" - desdenhando do cidadão paulista que sofre para pagar os pedágios.

Alckmin repetiu Serra: "Deixa ele falar, eu não vou comentar". - mandando os "pagadores de pedágios" paulistas "se danarem"

Eiiiiiiiiiiiiiiita... tenho dó dos palmeirenses

Viva nossa elite subsubdesenvolvida



Tá lá no Tijolaço.

Os jornais brasileiros passaram o dia diminuindo o tamanho da notícia da Time que apontava Lula como o líder mais influente, até ao ponto de criar uma confusão tal que, como me advertiu um leitor, a própria revista americana tirou a numeração de sua lista, embora o mantivesse no topo, porque a escolha é subjetiva, por parte de seus editores.

Vamos ver, porém, como são as notícias na mídia internacional, tema para o qual me chamou a atenção o comentarista Ademar Henrique, que copiou os textos em várias intervenções aqui, anexando os textos.

Vou colocar apenas os títulos e os links no Google News:

Agência France Press:
Lula es la personalidad más influyente del mundo, según Time
Europa Press:

Lula da Silva, líder más influyente del año

Agência EFE e Jornal ABC (Espanha)

Lula da Silva elegido la persona más influyente del mundo

E por aí vai. Veja na página de comentários do outro post, clicando aqui, o excelente clipping da imprensa intenacional que o Ademar realizou. Não preciso repetir aqui.

Mas vou colocar um que ele não vai botar, aposto. É do Bangkok News, da Tailândia:

Gaga, Clinton, Lula top Time’s influence list

Viva a imprensa brasileira, que fez o que põde para desmerecer um reconhecimento da importância, nem tanto de Lula, mas que o Brasil pode ter no mundo, se não viver de joelhos.

Por isso, como homenagem às nossas elites mentalmente subdesenvolvidas, coloco em vídeo um trechinho da Canção do Subdesenvolvido, de Carlos Lyra e Francisco de Assis, uma sátira brilhante, feita nos anos 60.

Pronunciamento do Homem Mais Influente do Mundo




créuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu

Chupa que é de uva





Deu no blog do Esquerdopata:

Quando os brasileiros elegeram Luiz Inácio Lula da Silva presidente pela primeira vez, em 2002, os capitalistas selvagens do país checaram, nervosos, os medidores de combustível de seus jatos particulares. Eles tinham transformado o Brasil em um dos lugares mais desiguais do planeta e agora parecia que tinha chegado a hora da revanche. Lula, 64 anos, era um verdadeiro filho das classes trabalhadoras da América Latina – na verdade, um dos membros fundadores do Partido dos Trabalhadores – que já havia sido preso por liderar uma greve.


Quando Lula finalmente conquistou a Presidência, após três tentativas frustradas, já era uma figura conhecida na vida nacional brasileira. Mas o que o levou à política, em primeiro lugar? Foi sua experiência pessoal de como os brasileiros têm que trabalhar duro para sobreviver? Foi ter sido forçado a abandonar a escola depois da quinta série para sustentar sua família? Foi ter trabalhado como engraxate? Foi ter perdido parte de um dedo em um acidente de trabalho?


Não. Foi quando, aos 25 anos, viu sua esposa, Maria, morrer durante o oitavo mês de gravidez, junto com o filho, porque não podiam arcar com cuidados médicos decentes.


Há uma lição aqui para os bilionários do mundo: dêem ao povo boa assistência médica, e ele causará muito menos problemas.


E aqui está uma lição para o resto de nós: a grande ironia da Presidência de Lula – ele foi eleito para um segundo mandato em 2006, que se encerra no final deste ano – é que, enquanto ele tenta levar o Brasil ao Primeiro Mundo, com programas sociais como o Fome Zero, que visa acabar com a fome, e com planos para melhorar a educação oferecida aos membros da classe trabalhadora do Brasil, os EUA se parecem cada vez mais com o antigo Terceiro Mundo.


O que Lula quer para o Brasil é o que costumávamos chamar de sonho americano. Nós, nos EUA, em compensação, onde o 1% mais rico possui mais do que os 95% mais pobres somados, estamos vivendo em uma sociedade que está rapidamente se tornando mais parecida com o Brasil.

Eles tentam, tentam e tentam


Olhe, atente bem para as capas destas vejas, usamos para limpar as fezes dos nossos filhotes caninos. É realmente o PIG ( partido da imprensa golpista ) estão ficando desesperados, agora estão pondo o Srº serrote como belo administrador...Póde ?

quarta-feira, 28 de abril de 2010

PROFESSOR – UMA ESPÉCIE EM EXTINÇÃO




Por Verônica Dutenkefer (20/06/2009)

Esse texto que escrevo precisamente agora é mais um desabafo.

Desabafo de uma profissional que está lecionando há mais de 22 anos e que não sabe se sobreviverá por mais dez anos, que é o tempo que ainda precisará trabalhar (por mais que ame muito o que faz).

Trago comigo muitas perguntas que não querem calar. E talvez a mais inquietante seja: O que será necessário acontecer para se fazer uma reforma educacional neste país????

Constantemente, ouço ou leio reportagens com as autoridades educacionais proclamarem a má formação de seus professores. Culpando as universidades, a falta de cursos de formação e culpando-nos, evidentemente.

Questionamentos:

Como um professor de escola pública pode fazer o seu trabalho se ele precisa ficar constantemente parando sua aula para separar a briga entre os alunos, socorrer seu aluno que foi ferido por outro aluno, planejar várias aulas para se trabalhar os bons hábitos, na tentativa vã de se formar cidadãos mais conscientes e de melhor caráter?

Nos cursos de formação nos é passado constantemente a recusa de um programa tradicional e conteudista, mas nossas avaliações de desempenho das escolas, nossos vestibulares e concursos públicos ainda são tradicionais e nos cobram o conteúdo de cada disciplina.

Como pode num país.....num estado...num município haver regras tão diferentes entre a rede particular e pública?

Na rede particular as escolas continuam conteudistas, há a seriação com reprovação, a escola pode suspender ou até mesmo expulsar um aluno que não esteja respeitando as regras daquela instituição.

A rede pública vive mudando o enfoque pedagógico (de acordo com o partido que ganhou as eleições), é cobrado cada vez menos do aluno, não se pode fazer absolutamente nada com um aluno indisciplinado que até mesmo coloca em risco a segurança de outros alunos e funcionários daquela instituição.

Dia a dia... minuto a minuto... os professores são alvos de agressões verbais e até mesmo físicas pelos alunos. A cada dia somos submetidos a níveis de stress insuportáveis para um ser humano.

Temos que dar conta do conteúdo a ser ensinado + sermos responsáveis pela segurança física de nossos alunos + sermos médicos + enfermeiros + psicólogos + assistentes sociais + dentistas + psiquiatras + mãe + pai ......

E, quando ameaçados de morte, se recorremos a uma delegacia pra fazer um boletim de ocorrência ouvimos: “Isto não vai adiantar nada!”

Meus bons alunos presenciam o mau aluno fazendo tudo o que não pode ser feito e não acontecendo nada com ele. É o exemplo da impunidade desde a infância..

Meus bons alunos presenciam que o aluno que não fez absolutamente nada durante o ano, passou de ano como ele, que se esforçou e foi responsável.

Houve um ano que eu tinha um aluno que era muito bom. E ele começou a faltar muito e ir mal na escola. Os colegas diziam que ele ficava empinando pipa ao invés de ir pra escola. Um dia, tive uma conversa com ele, e perguntei o que estava acontecendo? E ele me disse: “Prá que eu vou vir prá escola se eu vou passar de ano mesmo assim?”

Então eu procurei aconselhar (como faço com meus alunos até hoje) que ele devia frequentar a escola, não para tirar notas boas nas provas ou passar de ano. Ele deveria vir à escola para aumentar seu conhecimento que é o único bem que ninguém poderá roubar.Que a escola iria ajudá-lo a aprender e trocar conhecimentos com os outros e ajudá-lo a dar uma melhor formação na vida..

Depois dessa conversa ele não faltou mais tanto... mas nunca mais voltou a ser o excelente aluno que era.

Qual a motivação de ser bom aluno hoje em dia?

Seus ídolos são jogadores de futebol que não falam o português corretamente e que não hesitam em agredir seus colegas jogadores e até mesmo os árbitros. Ensinando que não é necessário haver respeito às autoridades e aos outros.

Ou são dançarinas que mostram seu corpo rebolando na televisão e pousando nuas para ganhar dinheiro.

Para quê eu me matar de estudar se há tantas profissões que não são valorizados e nem respeitadas? ??

Conheci (e ainda conheço e convivo) ao longo de minha carreira na escola pública, inúmeros profissionais maravilhosos. Pessoas que amam a sua profissão, que se preocupam com seus alunos, que fazem trabalhos excepcionais. Que possuem um conhecimento e formação excelentes, mas que estão desgastados e quase arrasados diante da atual situação educacional.

Li há poucos dias, num artigo que os cursos de filosofia, matemática, química, biologia e outros todos ligados à área de magistério não estão tendo procura nas universidades.

Lógico!!!!!Quem é que quer ser professor??? ??????

Quem é que quer entrar numa carreira que está sendo extinta, não só pela total desvalorização e respeito, mas também pela falta de segurança que estamos enfrentando nas escolas?

Fiquei indignada com uma reportagem na TV (que, aliás, adora fazer reportagens sensacionalistas colocando o professor sempre como vilão da história) em que relatava que numa escola um aluno ameaçava os outros com um revólver e, num determinado momento, o repórter perguntou: “Onde estava o professor que não viu isso??!!”

E agora eu pergunto: “O que se espera de um professor (ou de qualquer ser humano), que se faça com uma arma apontada pra você ou pra outro ser humano??? Ah...já sei...o professor deveria enfrentar as balas do revólver!!!! Claro!!! As universidades e os cursos de aperfeiçoamento de professores não estão nos ensinando isso..

Vocês têm conhecimento de como os professores de nosso país estão adoecendo??? ?

Vocês sabem o que é enfrentar o stress que a violência moral e física tem nos submetido dia a dia?

Você sabe o que é ouvir de um pai frases assim:

“Meu filho mentiu, mas ele é apenas uma criança!”

“Eu não sei mais o que fazer com o meu filho!”

“Você está passando muita lição para meu filho, e ele é apenas uma criança!”

“Ele agrediu o coleguinha, mas não foi ele quem começou.”

“Meu filho destruiu a escola, mas não fez isso sozinho!”

Classes super lotadas, falta de material pedagógico, espaço físico destruído, violência, desperdício de merenda, desperdício de material escolar que eles recebem e, muitas vezes, não valorizam (afinal eles não precisam fazer absolutamente nada para merecê-los), brigas por causa do “Leve-leite” (o aluno não pode faltar muito, não por que isso prejudica sua aprendizagem, mas porque senão ele não leva o leite.)

Regras educacionais dissonantes de acordo com a classe social dos alunos.

Impunidade.

Mas a educação não vai bem, por causa do professor..

Encerro esse desabafo com essa pergunta que li há poucos dias:

Essa pergunta foi a vencedora em um congresso sobre vida sustentável.

"Todo mundo 'pensando' em deixar um planeta melhor para nossos filhos... Quando é que 'pensarão' em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"

segunda-feira, 26 de abril de 2010




Como tenho saudades da minha infância no RJ, estou agora embriagado de tanto corrigir as avaliações dos alunos. JESUS

Direito dos presos à educação mais perto de ser respeitado




Deu no fazendo média
Por Raquel Júnia, 19.04.2010


O Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou, em março, as diretrizes nacionais para oferta de educação a jovens e adultos em situação de privação de liberdade nos estabelecimentos prisionais. Apesar de ser um direito assegurado inclusive na Lei de Execuções Penais, até o momento, a educação nas carceragens não tinha uma orientação nacional. Dessa maneira, segundo a análise expressa no próprio parecer do CNE, relatado pelo conselheiro Adeum Sauer, a oferta sempre foi precária e improvisada, com número de vagas insuficiente para atender a demanda.


De acordo com dados apresentados por Sauer, no parecer pela aprovação das diretrizes, 11,8% da população carcerária é analfabeta e 66% não concluiu o Ensino Fundamental. “O tempo que passam na prisão (mais da metade cumpre penas superiores a nove anos) seria uma boa oportunidade para se dedicar à educação, sobretudo quando a maioria (73,83%) são jovens com idade entre 18 e 34 anos. Mas o aproveitamento de tal oportunidade ainda não se deu. Apenas 10,35% dos internos estão envolvidos em atividades educacionais oferecidas nas prisões”, salienta.

As diretrizes para educação nas penitenciárias foram pensadas para dar conta de toda esta provável demanda e preencher o vazio normativo existente no país quanto ao tema. De acordo com as definições aprovadas pelo Conselho, o financiamento da educação nas unidades prisionais deve ser garantido exclusivamente com recursos públicos, provenientes do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e da Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), na modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Para Mariângela Graciano, da ONG Ação Educativa, que acompanhou de perto a discussão das diretrizes, a garantia de que as escolas prisionais obterão financiamento das esferas governamentais é um dos pontos mais importantes do que foi aprovado, já que historicamente estes recursos são provenientes de filantropia. Ela explica que a oferta em modalidade Educação de Jovens e Adultos também é um passo importante, já que é inerente a este tipo de curso uma proposta curricular diferenciada, que visa contemplar as especificidades do público a qual se destina.

A educadora destaca outros avanços do parecer, como a responsabilidade das secretarias estaduais de educação pela gestão do ensino, e a possibilidade de controle social desta política por parte da população, uma vez que os dados sobre a oferta do ensino nos presídios devem ser publicizados em relatórios periódicos. Outro destaque é a necessidade de que haja sempre chamada pública para as aulas, ou seja, a população carcerária deve tomar conhecimento de que as turmas estão iniciando as atividades para poderem se matricular, se assim desejarem. “Outro ponto positivo é a oferta da educação em todos os turnos. Hoje, muitas vezes, só são oferecidas aulas durante o dia e quem trabalha não pode estudar”, acrescenta.

Para o coordenador geral de reintegração social e ensino do Departamento Penitenciário Nacional (Depen/MJ), Marcus Rito, a aprovação das diretrizes também representa um grande avanço. Ele explica que houve um amplo processo de discussão antes que este parecer fosse aprovado, com realização de audiências públicas e encontros temáticos. “As diretrizes vão ao encontro do que já está garantido na Lei de Execuções Penais, que é o direito do preso de estudar. E são um resumo geral dos anseios da sociedade civil”, declara.

Rito lembra que outro aspecto importante contemplado nas resoluções aprovadas é a padronização do calendário escolar em todas as instituições. A medida pode facilitar a continuidade do estudo do preso, mesmo que ele seja transferido de penitenciária.

A coordenadora do programa de pós-graduação em Educação Profissional em Saúde da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) , Marise Ramos, avalia que o parecer tem o mérito de reconhecer a educação como um direito de todos, inclusive das pessoas em situação de privação de liberdade. Entretanto, a professora identificou no documento dois aspectos que caem no que ela considera um equívoco, que é a visão idealizada da “educação como redentora” e um “lastro economicista” , que atribui à educação, por meio da qualificação profissional, uma capacidade de garantir a entrada do presidiário no mercado de trabalho.

“O documento apresenta uma visão redentora porque aposta que a educação dá conta sozinha da formação de novos valores éticos e morais, e isso não é verdade, porque esses valores são produzidos pela sociedade, já que não é possível separar o problema ético e moral das desigualdades sociais”, explica.

Marise lembra que um ex-presidiário enfrenta um grave problema, que é a discriminação associada à sua condição de classe e que, portanto, não é fundamentalmente a qualificação profissional que vai garantir que ele encontre lugar no mercado. “O Arruda (ex-governador do Distrito Federal), por exemplo, ficou preso dois meses e com certeza terá um lugar para ele fora da prisão. É a sua origem de classe que garantirá a sua reinserção. Já um ex-presidiário pobre, ainda que tenha qualificação profissional, vai enfrentar muito mais dificuldades para ser reinserido”, argumenta.

O parecer ainda precisa ser homologado pelo Ministério da Educação, o que, de acordo com o próprio CNE, deve acontecer em breve, já que a iniciativa de elaboração das diretrizes partiu do próprio MEC, em conjunto com o Ministério da Justiça. Assim que o documento for homologado, as diretrizes já passam a valer como normas gerais de conduta para a educação nos estabelecimentos prisionais. O parecer voltará então ao CNE, que publicará o projeto de resolução que o acompanha e o encaminhará para publicação também no Diário Oficial. Caberá, então, a cada sistema (secretarias municipais e estaduais e conselhos de educação), como determina a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), detalhar como as diretrizes serão implementadas em cada estado.

Desafios

Pelos dados de 2009 do Depen/MJ destacados no parecer do CNE, o Brasil possui 469.546 presos, distribuídos em 1.771 unidades penais do país. Estima-se que de cada 100 mil habitantes no Brasil, 247 estão encarcerados. “A população carcerária no Brasil cresce de forma assustadora. Nos últimos nove anos (2000 a 2009), esse contingente aumentou 101,73%, saltando de 232.755 internos (dados de 2000) para 469.546 (dados de 2009)”, destaca o conselheiro Adeum Sauer.

Na opinião de Mariângela Graciano, a prioridade do poder público neste momento deve ser produzir dados sobre a demanda real por educação nos presídios, já que não há informações sistematizadas neste sentido. Outro grande desafio é exigir que as diretrizes sejam implementadas e de fato seguidas.

Para Marcus Rito, é preciso também sensibilizar os operadores das prisões sobre a importância da educação. Além disso, garantir as condições estruturais mínimas para o processo educacional, necessidade também apontada pela pesquisadora da Ação Educativa.

Na prática, entretanto, a realidade está longe de ser satisfatória, como garante o próprio coordenador do Depen/MJ. “O esforço é para que as novas unidades que sejam construídas já estejam de acordo com as diretrizes aprovadas”, diz. Com relação às penitenciárias antigas, Rito acrescenta que pode haver iniciativas de reforma e adequação de espaços, e ainda de desativação de unidades que não apresentem as condições necessárias, mas que essas mudanças dependerão das administrações estaduais. “Dos estados que solicitam apoio do governo federal para as penitenciárias, nós exigimos que tenham as condições físicas que acreditamos serem essenciais para a ressocializaçã o das pessoas”, explica.

De acordo com Marcus Rito, o governo federal vem tentando fomentar o desencarceramento, com assistência jurídica necessária para que os processos sejam revistos e as pessoas que tenham direito a progredir de pena dentro dos limites legais possam fazê-lo. A medida, conforme argumenta Rito, pode gerar mais espaço nos presídios. Entretanto, ele destaca que hoje existe um déficit de 180 mil vagas no sistema penitenciário, o que torna as iniciativas para geração de espaço inexpressivas diante da necessidade.

Apesar das políticas que o governo federal afirma estar tentando implementar para diminuir o número de encarcerados, o número de presidiários vem crescendo vertiginosamente, como afirma o parecer do CNE. E, ao mesmo tempo o governo está ampliando o número de vagas nas penitenciárias. De acordo com os dados do Depen, de 2004 para cá, sete penitenciárias foram construídas no país com verbas federais. Outras cinco foram reformadas, ampliadas ou recuperadas. Mais 120 obras de construção, ampliação, reforma estão em andamento ou já tiveram recursos liberados. “O que se luta é para que cada vez mais esta taxa de crescimento da população carcerária seja menor. Mas mesmo com todo o esforço dos governos federal e estadual, esta massa carcerária tem aumentado. Significa que se não houvesse estes esforços, a massa carcerária seria muito maior”, diz Marcus Rito.

PL garante salas de aula

Recentemente, um projeto de lei (PL 3442/08), de autoria do senador Cristovam Buarque, que autoriza a criação de salas de aula nos presídios, foi aprovado na Câmara dos Deputados e aguarda sanção do presidente da república. Rito destaca que o projeto é bem intencionado, mas que, em tese, nem precisaria existir, já que a Lei de Execuções Penais já garante que as unidades prisionais devem ter espaços destinados à educação.

*Reportagem publicada originalmente no sítio da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio/Fiocruz

sábado, 24 de abril de 2010

Sim nós podemos




Sim galera nós podemos !!!!!
A derrota deste cretino serrote já esta a caminho.

O leitor menos habituado com o mundo jornalístico talvez nem saiba: todas as redações de jornal, TV ou rádio possuem um departamento de "rádio-escuta".

São profissionais que passam o dia escutando o que as emissoras de rádio e TV publicam sobre todos os assuntos; e fazem relatórios para os chefes: "A Jovem Pan deu entrevista com o delegado do 36 DP"; "o SBT conseguiu ouvir o traficante do morro do Borel"; "a Dilma deu entrevista pro Datena".

É um serviço importante para orientar os chefes de redação. Pra saber de onde virão os furos. E para correr atrás da bola antes que seja tarde demais.

O curioso é que na internet a rádio-escuta é feita pelos leitores. É um serviço gratuito e eficiente.

Por exemplo: o leitor Mirabeu Leal (um ágil rádio-escuta) informa que a jornalista Eliana Cantanhêde (aquela, da "massa cheirosa" na convenção do PSDB) fez, na rádio CBN, uma grave denúncia contra blogueiros (que ela esqueceu de nominar): "EU APANHO DELES. ENTÃO, A GENTE FICA APANHANDO, APANHANDO...".

É tanta surra (segundo a jornalista) que Mirabeau chega a perguntar se a "cheirosa" não vai procesar os blogueiros, com base na Lei Maria da Penha.

O comentário da jornalista "cheirosa" - como diz o Mirabeu - foi feito durante um programa da CBN para discutir a campanha eleitoral na internet.

A CBN (do Sistema Globo de Rádio), como se sabe, é uma rádio imparcial e independente. Sem qualquer ligação com o Serra!

E a Eliane, também, como se sabe, não tem qualquer ligação com marqueteiros tucanos.

O link para o programa da CBN está aqui - http://cbn.globoradio.globo.com/playlist/asx.php?audio=2010%2Fcolunas%2Fnoticiaemfoco_100419. A frase sobre a surra está aos 32´30, aproximadamente.

Quanto à jornalista, acho que ela se leva muito a sério. Na verdade, no episódio da "massa cheirosa" (http://www.rodrigovianna.com.br/videos/o-psdb-e-a-massa-cheirosa ) ela não "apanhou". Foi tratada como piada. Só isso.

Pelo relato que Mirabeu nos faz (confesso que não tive tempo de ouvir todo o programa), a CBN e seus cheirosos passaram um recibo danado: estão preocupados com o contraponto oferecido pela internet.

Como comentei outro dia: eles tem o exerrcito convencional, nós fazemos guerrilha.

Não devemos subestimar o poder de fogo (ainda imenso) do PIG. Mas podemos registrar: eles estão incomodados. Isso estão. Com certeza.

E vão continuar apanhando, apanhando, apanhando...