A outra face da educação

Colóquio Flácido para Acalentar bovinus....Educação





Quem está aki!!

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Educação anda para trás com crise e descaso Burocracia, falta de continuidade de projetos e aumento da violência impactam ações

RIO — Por trás da aparente apatia da sociedade, que desocupou as ruas, esconde-se um movimento silencioso, porém vigoroso, que reúne voluntários, organizações não governamentais, empresas e organismos de financiamento que trabalham principalmente na educação e na saúde para ajudar crianças e jovens, especialmente os que se encontram em situação de risco. Visto no detalhe, esse movimento mostra a força da solidariedade e faz imensa diferença na vida de quem recebe ajuda. Observado em seu conjunto, expõe o nervo da questão: as políticas públicas, que têm papel protagonista no desafio de vencer barreiras históricas, como a da formação escolar deficiente, dormem em gavetas de burocratas, ou sofrem cortes brutais por causa da crise econômica.

CINQUENTA PROPOSTAS FEITAS NO 'REAGE, RIO!' PARA VIRAR O JOGO

Na educação e na saúde, as ações dos governos municipal e estadual mais parecem um perverso jogo de tabuleiro no qual, à mercê de quem está no comando por conta de uma eleição, pode-se ficar várias vezes sem jogar ou, pior, voltar várias casas. Até 2014, a educação pública, na capital e no estado, caminhava para começar a resolver seu maior problema, a qualidade, uma vez que o número de crianças matriculadas no ensino básico vinha melhorando. As iniciativas, porém, foram atropeladas pela falência do Estado do Rio. A violência fez surgir um trágico “indicador”, monitorado dia a dia: o número de escolas fechadas e crianças sem aula por conta de tiroteios.


Ocupação do Complexo do Alemão para implantação da UPP: pacificação não surtiu os efeitos esperados porque se restringiu à ação policial, sem apoio de políticas como as de ação social, educação e cultura
Mais que nunca, é preciso planejar e integrar
Soldados no Jacarezinho, na Zona NorteNova onda de violência e crise formam ‘tempestade perfeita’
Estação do metrô do Jardim Oceânico, na Barra da TijucaSistema eficiente tem que operar em rede
A interrupção de programas a cada mudança de governo e a falta de dados confiáveis para planejar e acompanhar as ações estão entre as dificuldades para implantação de políticas públicas de longo prazo. O sociólogo e cientista político Simon Schwartzman, pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets), diz que a falta de continuidade, inclusive a constante troca de professores nas turmas, mostra a ausência de um trabalho sistemático de gerenciamento das escolas. Também a falta de segurança atrapalha a discussão de qualidade do ensino. Um caso de deficiência em políticas públicas de duas áreas, produzindo um desastre.


— Primeiro, a escola tem que funcionar, não ter violência, não ser atacada a tiros — afirma o professor.

A execução orçamentária do governo do estado em 2016 expõe as principais vítimas dos cortes: segundo o Tribunal de Contas do Estado, não foram respeitados os repasses mínimos constitucionais para saúde, educação e pesquisa.

Para o professor Fernando do Amaral Nogueira, da Fundação Getulio Vargas de São Paulo, que estuda a descontinuidade administrativa nas políticas públicas, uma forma de a sociedade se proteger é estruturar melhor as carreiras no setor público.

— Os políticos tornaram-se muito dependentes dos cargos comissionados, fora do funcionalismo. Quando esses comissionados saem, em geral perde-se a memória do trabalho realizado. As boas iniciativas não encontram quem as defenda na administração pública — avalia.

No ensino superior, a cidade do Rio de Janeiro reúne o maior número de universidades federais e privadas do país, bem como de institutos de pesquisa de renome internacional, como Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), Fiocruz, Observatório Nacional, Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), entre outros. Falta garantir que essa imensa vantagem competitiva não seja prejudicada por oscilações de investimento, historicamente afetado em momentos de crise.


— O Estado do Rio, com grande contribuição da cidade do Rio de Janeiro, é o segundo maior produtor de conhecimento científico do país, em áreas como medicina, nanotecnologia, energias renováveis, entre outras. A capital é sede de quatro universidades entre as 20 melhores do país: UFRJ na segunda posição e Uerj, na oitava — diz o professor Jerson Silva, diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), destacando que os pesquisadores do Rio viveram um “ciclo virtuoso de financiamento” até 2014, que gerou muitos resultados. — Cerca de 5% do conhecimento sobre Zika foram feitos nos laboratórios do estado.

A Coppe/UFRJ, maior centro de ensino e pesquisa em engenharia da América Latina, também sofre com ameaças de cortes no orçamento e redução do investimento da Petrobras.

— Os cortes anunciados nos levam de volta a 2010 — diz o vice-diretor da Coppe, professor Romildo Toledo.
https://oglobo.globo.com/rio/educacao-anda-para-tras-com-crise-descaso-21777555
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LULA: “ATÉ O DINHEIRO DO PETRÓLEO PARA EDUCAÇÃO ELES QUEREM TOMAR”

Recebido pelo povo do Piauí como "Doutor do Povo", o ex-presidente Lula recebeu nesta segunda-feira, 4, o quinto título de Doutor Honoris Causa durante sua caravana pelo Nordeste; desta vez pela Universidade Federal do Piauí (UFPI); Lula elogiou os avanços obtidos pelo estado na educação pública e voltou a criticar o governo de Michel Temer e pediu união dos piauienses na luta por mais recursos para a Educação; "Vocês terão de brigar muito Ainda pela educação, porque até o dinheiro do petróleo para educação eles querem acabar", disse Lula; "Se é pra gente ter governo pra fazer o que estão fazendo agora, é melhor a gente colocar o Brasil nas Casas Bahia", criticou Lula sobre o projeto de privatizações do governo de Michel Temer


Lula dedicou a honraria à ex-primeira-dama Marisa Letícia, que faleceu no ano passado, e ao ex-prefeito de São Papulo e ex-ministro da Educação Fernando Haddad. 
Em discurso, Lula elogiou os avanços obtidos pelo Piauí na educação pública. "Eu tenho um motivo especial para me orgulhar deste título de doutor honoris causa, porque vem do estado com a melhor escola pública do País. Criamos as olimpíadas de português e tivemos cerca de 100 milhões de inscritos. As medalhas dos alunos de Cocal dos Alpes são motivo de orgulho para mim. Seus alunos e professores provaram que os alunos de escolas públicas podem, sim, aprender e se destacar na educação", disse Lula. 
O ex-presidente voltou a criticar o governo de Michel Temer e pediu união dos piauienses na luta por mais recursos para a Educação. "Vocês terão de brigar muito Ainda pela educação, porque até o dinheiro do petróleo para educação eles querem acabar. Antes de eu ser eleito, o governo federal fez uma lei proibindo investimento federal em criação de escola técnica. Nós revogamos a lei e fizemos mais escolas técnicas do que eles fizeram em 100 anos. Incluímos estudo da história da África no currículo", disse Lula. 

"Se é pra gente ter governo pra fazer o que estão fazendo agora, é melhor a gente colocar o Brasil nas Casas Bahia", criticou Lula sobre o projeto de privatizações do governo de Michel Temer.



Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/piaui247/315425/Lula-%E2%80%9Cat%C3%A9-o-dinheiro-do-Petr%C3%B3leo-para-Educa%C3%A7%C3%A3o-eles-querem-tomar%E2%80%9D.htm

Brasil é #1 no ranking da violência contra professores: entenda os dados e o que se sabe sobre o tema


Caso de professora em Santa Catarina reabriu debate sobre agressões em sala de aula. Dados mais recentes da OCDE colocam Brasil com pior índice no mundo.


soco desferido por um aluno contra o rosto de Marcia Friggi reabriu o debate sobre a violência contra os professores em sala de aula. Entretanto, o retrato da violência contra os docentes deixa o Brasil fora de foco. Os dados globais mais recentes colocam o país como o mais violento contra esses profissionais. Além disso, estudiosos do tema apontam que faltam levantamentos internos que promovam o diagnóstico do problema.
Uma pesquisa feita em 2015 pelo Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo (Apeoesp) apontou que 44% dos docentes que atuavam no estado disseram já ter sofrido algum tipo de agressão. Entre as agressões que 84% dos professores afirmam já ter presenciado, 74% falam em agressão verbal, 60% em bullying, 53% em vandalismo e 52% em agressão física.
Para a socióloga Miriam Abramovay, especialista em violências nas escolas e juventudes, é significativo a falta de dados sobre o tema. "Praticamente nunca foi feito nenhuma pesquisa específica só com os professores. Isso mostra que o tema não é prioritário, como se a violencia não tivesse impacto no ensino, no aprendizado e no cotidiano da escola", afirma.

Brasil #1 no ranking da violência

Uma pesquisa global da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) com mais de 100 mil professores e diretores de escola do segundo ciclo do ensino fundamental e do ensino médio (alunos de 11 a 16 anos) põe Brasil no topo de um ranking de violência em escolas. O levantamento é o mais importante do tipo e considera dados de 2013. Uma nova rodada está em elaboração e os resultados devem ser divulgados apenas em 2019.
Trata-se do índice mais alto entre os 34 países pesquisados - a média entre eles é de 3,4%. Depois do Brasil, vem a Estônia, com 11%, e a Austrália com 9,7%.
Na Coreia do Sul, na Malásia e na Romênia, o índice é zero.

Impunidade

A pesquisadora Rosemeyre de Oliveira, da PUC-SP, atribui a violência nas escolas à impunidade dos estudantes. “O aluno que agride o professor sabe que vai ser aprovado. Pode ser transferido de colégio - às vezes é apenas suspenso por oito dias”, diz. “Os regimentos escolares não costumam sequer prever esse tipo de crime. Aí, quando ele ocorre, nada acontece.”
Para as vítimas, no entanto, as consequências costumam ser severas. Rosemeyre investiga o trabalho dos professores readaptados – aqueles que foram afastados da sala de aula e reinseridos em outra atividade escolar, como na secretaria ou na biblioteca. “A maior parte precisa deixar de atuar nas classes porque tem estresse pós-traumático. Há docentes que foram baleados por alunos, agredidos ou ameaçados”, explica. “Quando assumem outras funções, as vítimas são vistas com preconceito até pelos próprios colegas.”
Rosemeyre, inclusive, é professora readaptada em um colégio estadual da periferia de São Paulo. Ela deixou de atuar em sala de aula quando foi ameaçada, em 2009, por um aluno de ensino médio que estava armado. “Tentei voltar para o trabalho várias vezes, mas não conseguia. É progressivo. Sofria antes de ir à escola. Era afastada pela psiquiatra, a licença terminava e eu não me sentia capaz de retomar o trabalho. Até que desisti. Fui readaptada em 2012. Hoje, trabalho na secretaria”, conta. “A vítima se sente cada vez mais excluída. Eu ainda direcionei isso para a pesquisa acadêmica, para mostrar pelo que a gente passa.”

Violências na escola

Para a socióloga Miriam Abramovay, especialista em violências nas escolas e juventudes, o que ocorre nas escolas deve ser sempre avaliado no plural: violências. Miram foi uma das coordenadoras de um estudo da Unesco em 2002 que avaliou diferentes manifestações do problema.
Ela lembra que as pesquisas mostram que o aluno muitas vezes também é vítima. "A escola exerce uma violência institucional muito forte sobre seus alunos e professores", lembra. Com pesquisas atualmente em andamento no Rio Grande do Sul e no Ceará, ela lembra que muitas vezes o alunos se torna rebelde e agressivo por não se sentir donos do espaços. "Não conseguem participar", afirma.
Sem fazer juízos sobre o caso específico em Santa Catarina, ela lembra que os levantamentos apontam que um dos principais gatilhos para a violência contra as professoras e os professores está justamente no momento em que um aluno é retirado de sala de aula. "Em geral, você cria situações limites que não precisavam ser criadas. Tem que redescutir, para ver como se pode viver melhor", diz a pesquisadora, novamente fazendo a ressalva de que não está analisando o caso específico de Santa Catarina.

"Geração cristal" + "Síndrome do imperador"

A colunista do G1 e especialista em educação, Andrea Ramal, lembra uma declaração da professora agredida em Santa Catarina para refletir sobre o papel dos pais e da sociedade na proteção do professor. Em seu depoimento, a professora escreveu: “Esta é a geração de cristal: de quem não se pode cobrar nada, que não tem noção de nada”.
"A análise (da professora) é coerente com alertas de psicólogos contemporâneos que defendem que os pais estão outorgando poder demais para os filhos. Não estabelecer limites, quase nunca dizer “não” e fazer todas as vontades de crianças e adolescentes são ingredientes-bomba. Derivam na “síndrome do imperador”, um comportamento disfuncional em que os filhos estabelecem suas exigências e caprichos sobre a autoridade dos pais, controlando-os psicologicamente e podendo chegar, não raro, a agressões físicas", afirma Ramal.
 Fonte:http://g1.globo.com/educacao/noticia/brasil-e-1-no-ranking-da-violencia-contra-professores-entenda-os-dados-e-o-que-se-sabe-sobre-o-tema.ghtml

sábado, 6 de dezembro de 2014

8 razões para defender o uso do celular na sala de aula

8 razões para defender o uso do celular na sala de aula

Escolarização x Educação

Escolarização x Educação

Nada que um dia após o outro.

As férias escolares de dezembro e janeiro/fevereiro se configuram como o momento mais esperado por professores e alunos de todos os níveis e modalidades de ensino. Nada mais do que justo, pois depois de um ano letivo repleto de atividades desenvolvidas em tempos e espaços escolares, é chegada a hora de descansar um pouco e recobrar as forças, repor as energias para, muito em breve, começar tudo de novo ... (acordar bem cedo, ir para a escola ou para a universidade, fazer tarefas e trabalhos escolares, estudar para as provas bimestrais, preparar as aulas, participar de reuniões pedagógicas e eventos científicos, corrigir trabalhos e avaliações escolares, entregar notas na secretaria etc.). É tanta coisa para pensar e fazer que quase não dá tempo para “respirar”, não é verdade? Sendo assim, faz-se necessário aproveitar as férias escolares para “esfriar a cabeça” e usufruir ao máximo os momentos de lazer para viajar; visitar parentes e amigos que moram distante; ouvir uma boa música; ler um livro de crônicas e poesias; brincar no parque com as crianças (filhos, sobrinhos e/ou netos, por exemplo); curtir uma praia (com cuidado!); passear e, se possível, fazer compras no shopping center; cuidar melhor da saúde alimentar; praticar diferentes esportes; assistir a uma peça teatral e a programas educativos na TV; ir ao cinema e a um templo religioso para meditar sobre a vida; contemplar as belezas da natureza; escrever um ensaio ou artigo científico, ou mesmo uma obra literária; enfim, realizar inúmeras outras atividades. Paralelamente a essas atividades de lazer e entretenimento, seria interessante também “reservar um tempo” para praticar o exercício da reflexão, palavra oriunda do verbo latino reflectere, que significa voltar atrás, repensar, retomar, reconsiderar os dados disponíveis, revisar, buscar significados, examinar detidamente, prestar atenção, analisar com cuidado (CHAUÍ, 2005; SEVERINO, 1992); enfim, “filosofar” sobre o mundo, a sociedade e os nossos modos de pensar e agir na vida pessoal, profissional e em comunidade. Dizemos “exercício da reflexão”, porque todos e cada um de nós, indistintamente, temos uma filosofia de vida (constituída a partir da família e do ambiente social em que vivemos) que rege e orienta nossos pensamentos e atitudes. Tal orientação pode ou não ser consequência da reflexão. Entretanto, a nossa ação segue sempre certa orientação. A todo o momento, estamos fazendo escolhas, mas isso não significa que estejamos sempre refletindo; haja vista que a ação não pressupõe, necessariamente, a reflexão: podemos agir sem refletir, embora não nos seja possível agir sem pensar. Portanto, há uma grande diferença entre o ato de pensar e de refletir. Se toda reflexão é pensamento, nem todo pensamento é reflexão. Este é um pensamento consciente de si mesmo, capaz de se avaliar, de verificar o grau/nível de adequação que mantém com os dados objetivos de mediar-se com o real existencial concreto. Pode aplicar-se às impressões e opiniões, aos conhecimentos científicos e tecnológicos, interrogando-se sobre o seu significado. Uma vez que a atitude filosófica é uma reflexão sobre os problemas e que, por sua vez, cada pessoa tem problemas a solucionar em sua vida. Então, cada ser humano é naturalmente, espontaneamente, levado a refletir, a “filosofar”. Em outras palavras, isso implica afirmar que a reflexão, a ação de “filosofar”, é provocada pelos problemas que assolam a vida humana e, ao mesmo tempo, dialeticamente falando, constitui-se numa resposta/solução aos problemas. Nesse contexto, pode-se dizer que a reflexão se caracteriza por um aprofundamento da consciência da situação problemática, acarretando, via de regra, um salto deveras qualitativo que leva à superação de tais problemas no seu nível originário. De acordo com Saviani (1980, p.25-26; grifos nossos), faz-se necessário que essa dialética reflexão-problema seja devidamente compreendida para que: [...] se evite privilegiar, indevidamente, seja a reflexão (o que levaria a um subjetivismo, acreditando-se que o homem tenha um poder quase absoluto sobre os problemas, podendo manipulá-los a seu bel-prazer), seja o problema (o que implicaria reificá-lo desligando-o de sua estrita vinculação com a existência humana, sem a qual a essência do problema não pode ser apreendida). Por isso, os problemas são tidos como o ponto de partida da Filosofia (Ciência), de forma que o objeto de investigação da Filosofia e aquilo que leva o homem a “filosofar” são exatamente os problemas que ele enfrenta no transcurso de sua existência humana; problemas esses que têm como essência as necessidades e que podem ser conceitualmente definidos como questões cujas respostas são desconhecidas e necessitam conhecer. (POLYA, 1995) Nesse contexto, podemos assegurar que uma questão, em si, não caracteriza um determinado problema, nem mesmo aquela cuja resposta é desconhecida; mas uma questão cuja resposta se desconhece e se necessita conhecer. Dito de outra forma: algo que eu não sei não é problema; mas quando eu ignoro alguma coisa que eu preciso saber, eis-me, então, diante de um problema. A título de exemplificação, torna-se profícuo destacar que um obstáculo que é necessário transpor, uma dificuldade que precisa ser superada, uma dúvida que não pode deixar de ser dissipada são algumas situações, dentre tantas outras, que se nos configuram como verdadeiramente problemáticas. Sem a pretensão de aprofundar as discussões acerca dessa temática, cabe-nos enfatizar ainda, em última instância, que a prática da reflexão consiste em um exercício deveras importante para que professores e alunos, de todos os níveis e modalidades de ensino, possam (re)planejar minuciosa e adequadamente as atividades que deverão ser desenvolvidas na escola e/ou na universidade durante mais um ano letivo, quais sejam: realização de estudos individuais e coletivos; elaboração de planos de ensino e planos de aula; participação em grupos de estudos; desenvolvimento de atividades de monitoria e iniciação científica; organização e distribuição de turmas, horários de aulas e disciplinas curriculares aos professores; construção coletiva do projeto político-pedagógico escolar; definição de datas para a realização de reuniões/semanas pedagógicas e avaliações bimestrais em conformidade com o calendário escolar/calendário acadêmico; despesas com mensalidades, transporte, uniforme e material escolar (cadernos, livros didáticos, apostilas etc.); elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC); entre vários outros encargos que fazem parte do cotidiano da vida escolar e/ou da vida acadêmica. Por ora é só, pois, afinal de contas, ainda estamos em férias escolares (...). Vamos deixar para debater com maior rigor científico os assuntos aqui abordados numa outra ocasião. Todavia, almejamos que este artigo possa contribuir, direta ou indiretamente, para que docentes e discentes possam melhor gozar das férias escolares (que ainda restam) tendo a consciência de que as mesmas podem e devem ser concebidas como um momento de lazer, reflexão e (re)planejamento; porém de cunho educativo, pedagógico. Que possamos, portanto, aproveitar as férias escolares para rememorar o passado, viver bem o momento presente e projetar o futuro. Tais ações se configuram como uma ótima ideia, você não acha? Lembre-se: a semeadura é opcional; porém, a colheita é obrigatória. Está aí a chance de nos tornarmos pessoas cada vez melhores. Todos somos capazes. Basta ter fé num Ser Superior, acreditar em nós mesmos, viver em comum-unidade e sempre fazer o bem sem olhar a quem. Filosofemos a respeito! Ademais, boas férias escolares a todos os professores e alunos. É o que cordialmente desejamos. Referências CHAUÍ, M. Convite à filosofia. 13.ed. São Paulo: Ática, 2005. POLYA, G. A arte de resolver problemas: um novo aspecto do método matemático. 2.ed. Rio de Janeiro: Editora Interciência, 1995. SAVIANI, D. Educação: do senso comum à consciência filosófica. São Paulo: Cortez/Autores Associados, 1980. (Coleção Educação Contemporânea). SEVERINO, A. J. Filosofia. São Paulo: Cortez, 1992. (Coleção Magistério 2º Grau – Série Formação Geral) http://www.professornews.com.br/index.php/component/content/article/96-artigos/5395-ferias-escolares-momento-de-lazer-reflexao-e-replanejamento

terça-feira, 31 de julho de 2012

Volta as aulas.

Estamos voltando depois de um mês de férias, como as crianças os jovens e os adultos do EJA, voltamos também com uma certa angústia, ta bom tristeza, pois ficamos em casa, ao lado de nossos filhos, passeamos, acordamos tarde, dormimos tarde viajamos, rimos ufa!!! são tantas coisas agradáveis que não queremos também voltar as aulas. Mais a vida continua, eu fui escolhido por Deus para lhe conferir está missão de ensinar, orientar essa geração de cabeçudos. Caraca, já que não tem jeito e eu tenho contas à pagar e eu no fundo, no fundo me divirto com aqueles cururus, mando aqui um texto do profeta Paulo Freire. Escola é ... o lugar que se faz amigos. Não se trata só de prédios, salas, quadros, Programas, horários, conceitos... Escola é sobretudo, gente Gente que trabalha, que estuda Que alegra, se conhece, se estima. O Diretor é gente, O coordenador é gente, O professor é gente, O aluno é gente, Cada funcionário é gente. E a escola será cada vez melhor Na medida em que cada um se comporte Como colega, amigo, irmão. Nada de “ilha cercada de gente por todos os lados” Nada de conviver com as pessoas e depois, Descobrir que não tem amizade a ninguém. Nada de ser como tijolo que forma a parede,Indiferente, frio, só. Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar, É também criar laços de amizade,É criar ambiente de camaradagem, É conviver, é se “amarrar nela”! Ora é lógico... Numa escola assim vai ser fácil!Estudar, trabalhar, crescer, Fazer amigos, educar-se, ser feliz. É por aqui que podemos começar a melhorar o mundo. (Paulo Freire)

De Carlos Moura, com carinho, para Noblat

Publico a carta aberta de Carlos Moura (aposentado, fotógrafo, redator de jornal de interior, sócio de uma pequena editora de livros clássicos e coordenador da Ação da Cidadania em Além Paraíba-MG) para o jornalista de “O Globo” Ricardo Noblat. === Noblat Quem é você para decidir pelo Brasil (e pela História) quem é grande ou quem deixa de ser? Quem lhe deu a procuração? O Globo? A Veja? O Estadão? A Folha? Apresento-me: sou um brasileiro. Não sou do PT, nunca fui. Isso ajuda, porque do contrário você me desclassificaria, jogando-me na lata de lixo como uma bolinha de papel. Sou de sua geração. Nossa diferença é que minha educação formal foi pífia, a sua acadêmica. Não pude sequer estudar num dos melhores colégios secundários que o Brasil tinha na época (o Colégio de Cataguases, MG, onde eu morava) porque era só para ricos. Nas cidades pequenas, no início dos sessenta, sequer existiam colégios públicos. Frequentar uma universidade, como a Católica de Pernambuco em que você se formou, nem utopia era, era um delírio. Informo só para deixar claro que entre nós existe uma pedra no meio do caminho. Minha origem é tipicamente “brasileira”, da gente cabralina que nasceu falando empedrado. A sua não. Isto não nos torna piores ou melhores do que ninguém, só nos faz diferentes. A mesma diferença que tem Luis Inácio em relação ao patriciado de anel, abotoadura & mestrado. Patronato que tomou conta da loja desde a época imperial. O que você e uma vasta geração de serviçais jornalísticos passaram oito anos sem sequer tentar entender é que Lula não pertence à ortodoxia política. Foi o mesmo erro que a esquerda cometeu quando ele apareceu como líder sindical. Vamos dizer que esta equipe furiosa, sustentada por quatro famílias que formam o oligopólio da informação no eixo Rio-S.Paulo – uma delas, a do Globo, controlando também a maior rede de TV do país – não esteja movida pelo rancor. Coisa natural quando um feudo começa a dividir com o resto da nação as malas repletas de cédulas alopradas que a União lhe entrega em forma de publicidade. Daí a ira natural, pois aqui em Minas se diz que homem só briga por duas coisas: barra de saia ou barra de ouro. O que me espanta é que, movidos pela repulsa, tenham deixado de perceber que o brasileiro não é dançarino de valsa, é passista de samba. O patuá que vocês querem enfiar em Lula é o do negrinho do pastoreio, obrigado a abaixar a cabeça quando ameaçado pelo relho. O sotaque que vocês gostam é o nhém-nhém-nhém grã-fino de FHC, o da simulação, da dissimulação, da bata paramentada por láureas universitárias. Não importa se o conteúdo é grosseiro, inoportuno ou hipócrita (“esqueçam o que eu escrevi”, “ tenho um pé na senzala” “o resultado foi um trabalho de Deus”). O que vale é a forma, o estilo envernizado. As pessoas com quem converso não falam assim – falam como Lula. Elas também xingam quando são injustiçadas. Elas gritam quando não são ouvidas, esperneiam quando querem lhe tapar a boca. A uma imprensa desacostumada ao direito de resposta e viciada em montar manchetes falsas e armações ilimitadas (seu jornal chegou ao ponto de, há poucos dias, “manchetar” a “queda” de Dilma nas pesquisas, quando ela saiu do primeiro turno com 47% e já entrou no segundo com 53 ) ficou impossível falar com candura. Ao operário no poder vocês exigem a “liturgia” do cargo. Ao togado basta o cinismo. Se houve erro nas falas de Lula isto não o faz menor, como você disse, imitando o Aécio. Gritos apaixonados durante uma disputa sórdida não diminuem a importância histórica de um governo que fez a maior revolução social de nossa História. E ainda querem que, no final de mandato, o presidente aguente calado a campanha eleitoral mais baixa, desqualificada e mesquinha desde que Collor levou a ex-mulher de Lula à TV. Sordidez que foi iniciada por um vendaval apócrifo de ultrajes contra Dilma na internet, seguida das subterrâneas ações de Índio da Costa junto a igrejas e da covarde declaração de Monica Serra sobre a “matança de criancinhas”, enfiando o manto de Herodes em Dilma. Esse cambapé de uma candidata a primeira dama – que teve o desplante de viajar ao seu país paramentada de beata de procissão, carregando uma réplica da padroeira só para explorar o drama dos mineiros chilenos no horário eleitoral – passou em branco nos editoriais. Ela é “acadêmica”. A esta senhora e ao seu marido você deveria também exigir “caráter, nobreza de ânimo, sentimento, generosidade”. Você não vai “decidir” que Lula ficou menor, não. A História não está sendo mais escrita só por essa súcia de jornais e televisões à qual você pertence. Há centenas de pessoas que, de graça, sem soldos de marinhos, mesquitas, frias ou civitas, estão mostrando ao país o outro lado, a face oculta da lua. Se não houvesse a democracia da internet vocês continuariam ladrando sozinhos nas terras brasileiras, segurando nas rédeas o medo e o silêncio dos carneiros. Carlos Torres Moura Além Paraíba-MG